domingo, 16 de janeiro de 2011
A Última Caravana
Ardia-me os olhos só de pensar no abrasador caminho até ao grande palácio. Uma vez fechados os grandes portões, ficaria para trás o pôr-do-sol no velho deserto e todos os medos que nele raiavam. Volvidos os tempos de meticulosos preparativos, em que bordámos nossos panos e escovámos nossos cabelos com ricos óleos, eis que chegara a hora de encher o fôlego e içar nossas arcas de sândalo no camelo enviado por Lavinkia. Prendemos nossos cabelos nos tocados de viagem, enrolados em panos fortes para que não se empoeirassem antes do grande momento e beijámos o cálido rosto de nossa mãe. Os caminhos velados pela nossa fiel guardiã abriam-se às sandálias ainda frescas do nosso chão de casa. Não receávamos emboscadas pois os temerários homens de Lavinkia guardavam nossa caravana. A longa jornada lançou-nos no doce balanço do sonho e fomos tomadas pelas recordações que guardávamos de tão esplendoroso palácio. Percorri o sumptuoso templo rosa marmóreo, salão após salão, repleto de gaiolas de ouro suspensas e incensários grandiosos cravejados das mais ricas pedras, passei meus dedos pelas sedosas grinaldas de véus coloridos que caíam das gigantescas palmeiras, ajoelhei-me nas suaves tapeçarias e petisquei das salvas de fruta e vinho, lavei meu rosto nas fontes perfumadas, guardei os segredos da luxúria dos homens.
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Sete Portais, Sete Véus
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