sexta-feira, 23 de março de 2012

Cigana da Estrada

Livre é a corrente da ribeira fresca que desenha os campos com a sua música.
 Livre é a poeira ocre da terra varrida pelos ventos do oriente e pelas rodas de madeira.
Livre é o pôr-do-sol no fim da estrada e a borboleta branca abrindo o trilho depois de cada encruzilhada.
Livre é a roupa lançada sobre a fogueira do amor
Livre como as folhas no vento na alvorada
O aroma de rosas doces abertas na manhã anuncia a chegada de Varya, a linda cigana da estrada, que fará livre todos aqueles que recebem no seu coração o mais livre dos fundamentos.

domingo, 11 de março de 2012

A Iniciada

Recordo quando a vira pela primeira vez
Foi o maior assombro de toda a minha vida
Quem seria a Majestosa Rainha?
Os céus escondiam tantos mais céus quanto as luzidias medalhas do seu toucado.
Aquilo que a natureza separara, o espírito finalmente uniria.
Por muitos caminhos que percorrera
Nunca antes entrara pelo caminho que sou
Por muitos ensinamentos que buscara
Nunca antes soubera que está em mim
o destino para vou

Torre dos Corvos

A minha guia mostra-me o soberbo palácio onde as paredes eram de vidro e chão coberto de peles brancas.
Meus pés afundavam-se naquele tapete polar e parecia que pisava nunvens num sonho revisitado. Reconhecia alguns objectos e outros queria reconhecer. A minha guia alertava-me para eu não me sentar no seu grande cadeirão e levou-me até ao último piso.
Olhando pela parede envidraçada reconheci imediatamente a grande torre dos corvos. Os corvos pousaram para que eu visse que os seus bicos foram cortados.
O portal de pedra escurecida e humida irrompia os meus olhos como lágrimas, os corvos fitavam-me imperturbáveis.
O gelo no coração e as chamas nos olhos anunciavam a minha rainha.
Hare

Sete Portais, Sete Véus

Será que os cânticos do deserto não perfumam mais teu coração quando o sol se põe? Será que o resvalar da areia grossa na pedra não te r...