domingo, 16 de janeiro de 2011

Tenda Perfumada

A lamparina por encher denunciava a noite mal dormida, as mantas revoltas e as rosas desfolhadas na tina de água supunham uma noite de febril paixão ou o derradeiro encantamento de amor...
Varya despertava do sono com uma preguiça deliciosa pois nada a esperava, apenas um novo amanhecer luminoso e fresco, como a sua pele de menina. Na sua terra natal, o gelo teria inundado a entrada da tenda, mas ali a erva já estava aquecida com o primeiro sol da manhã e o chilrear das andorinhas trazia-lhe doces lembranças dos casamentos das primas, sempre celebrados nas primeiras semanas da Primavera. Coroas de flores amontoadas numa cesta aos seus pés encheram-na de orgulho, eram o fruto de uma noite de trabalho dedicado. A ciganinha ansiava colocá-las nas tendas do acampamento que a acolhera. Doravante, será estrangeira entre estrangeiros, irmã entre irmãos, mais uma borboleta da grande família cigana esvoaçando pelo mundo a fora.

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