terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Elo Cigano

Embalada pelo vento, Varya caminha serena pelas encostas verdes do acampamento, suas saias parecem duas enormes asas a levantar voo.
As velhas botas cor de canela atadas com fitas de cetim vermelho estão manchadas pelo orvalho das ervas. Varya queria tanto descalçar-se e enterrar seus pés nesse manto verde de frescura, seus pés até levitam de liberdade mas não pode arriscar-se a perder os velhos botins feitos por seu pai. Esta derradeira lembrança da família tem a benção encantada que a protegerão por todos os caminhos que cruzar. 
Apressa-se então a entregar as suas coroas às ciganas solteiras que a abraçam com uma profunda gratidão. Muitas estão enamoradas e felizes, outras sonham com a sua primavera, todas acorrem aos bons augúrios trazidos pelas coroas de flores do campo. As rosas selvagens foram cozidas no cizal pelas delicadas mãos da ciganinha na noite anterior enquanto cantarolava para a lua cheia e todos os espinhos foram enterrados fundo na terra. 
Um cigano só deixa o seu clã para unir os demais num elo inquebrável de luz.

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