A saia clareia na espuma do mar e suas mãos gretadas de argila seca afundam-se nas águas vivas por alguns momentos até seus dedos se desentorpecerem completamente. De olhos fechados, tomba seu rosto na linha de água e sacode-o com um sorriso feliz. Só no mar seu peso foge e sua cintura parece ágil...está pronta a caminhar.
Mariana não perde a força com o passar do tempo porque a força de Mariana é a força do tempo.
No cesto de ráfia traz uma pilha de conchas partidas e pedrinhas polidas pelas ondas para enfeitar seus potes, mas sempre olha para aqui e acolá, a ver se encontra mais, ou um coco caído para as crianças, sempre atenta, segue vagarosamente para a aldeia. Caminhos se encurtam, sombras se alongam, brisas se refrescam na passagem da Vóvó Mariana.

Sem comentários:
Enviar um comentário