domingo, 27 de fevereiro de 2011

Subindo o Mississipi


Empoleirado na janela acenava às gentes de New Orleans. No ar pairavam os seus cantos vibrantes, que saíam das pequenas igrejas de madeira pintada à beira do rio.
Peter adorava os escravos, seus olhos de mel inundavam-se de emoção quando eles lhe acenavam esfuziantes das margens à entrada do Mississipi.
Elas de chapéus e luvas, com as saias sacudidas pelo vento agitavam seus lenços brancos. E eles atiravam ao ar seus chapéus de palha.O rio era longo, mas ver o povo sorrir em terra firme depois de tanto mar deixava-nos de coração cheio.

Fogo d'Água

Minha Musa Negra, estavas tão linda e serena desenlaçando tuas tranças na beira do rio. 
A selva escutava teu canto em murmúrio e nem passava perto da porta do teu reino.
A noite perfumada soltou teu cabelo denso sobre tua pele de ébano oleada
Ele é o espelho da noite na mata: negra, pesada e vibrante.
E lá no alto, a lua suspensa sobre o teu lago secreto, não ousa tocar-lhe nem com o seu reflexo
Dona Neuza, o teu canto corre nas águas que o grande Leão bebe...



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cão-Guia


Bracejava num espesso rio de lodo com as pernas presas ao fundo, sentia-me condenada ao medo da imobilidade eterna, quando vi aproximar-se o cão grande dos meus sonhos com seus doces olhos de âmbar.Serenou-me vê-lo, mas quis ajudá-lo pois temi que não tivesse força para nadar no peso daquele lamaçal.
Na ânsia de alcançá-lo, dei alguns passos e meu pés descalços tactearam amontoados de cadáveres.
Elevei-o pela barriga e num gesto de agradecimento, ele fez com que meu corpo emergisse e pairasse sobre rio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ouve-me




Não me chames, não me aclames, apenas teus gestos te farão merecedor
Não te vergues, não faças preces, a Justiça não tem escolhidos
Não temas a verdade, mesmo que te devaste
Todas noites serão noites de viagem
E todas as viagens viverão em ti
Meu pé pisa uma só vez cada pedra
Minha espada corta uma só vez cada noite
Escuta meu galope no deserto
Veus de penas negras cortam os céus
Ouve-me

As Almas dão, as Almas dão


Um lindo caminho de crisântemos brancos abria-se e subia as montanhas verdejantes como um rio crescendo no seu caudal, serpenteando pelos céus adentro, subia até ao templo cristalino que jorrava sobre o mundo inteiro infinitos feixes de luz e, ao olhar um certo tempo, cada raio de luz ganhava forma humana e começava descendo o serrado, levitando até mim.
A peregrinação foi enchendo os caminhos e o horizonte.
E o povo de luz abraçava-me sem me tocar.
Um amor profundo, cálido sussurrava...
As Almas dão, as Almas dão....





Sete Portais, Sete Véus

Será que os cânticos do deserto não perfumam mais teu coração quando o sol se põe? Será que o resvalar da areia grossa na pedra não te r...